Nossa História

Éramos apenas um casal comum, desses tradicionais, que namoram, se casam e tem filhos. Não tínhamos nada de extraordinário, até então. Eu, Dani, decidi abandonar a carreira de bancária para me dedicar exclusivamente ao primeiro filho. Douglas, engenheiro civil, trabalhava em uma grande construtora dessas que têm por aí.

Vivíamos nossas vidas cotidianas nos dividindo entre trabalho, família, filhos e idas frequentes ao cinema, parques e restaurantes aos finais de semana. Tudo era normal, até eu sofrer uma queda que rompeu alguns ligamentos do joelho, danificou a patela e fez um terrível estrago, do qual, para ser corrigido, precisei enfrentar uma cirurgia.

O ano era 2013, após a cirurgia, fiquei um tempo sem andar, nos primeiros dias foi necessário a utilização de uma cadeira de rodas e aí sim começamos a nossa trajetória de verdade. O cotidiano banal, as coisas mais simples da vida começaram a ser ressignificadas. Entrar na minha própria casa foi um grande obstáculo, sentada numa cadeira de rodas eu olhava para todos os degraus na minha frente e pensava: E agora? Douglas, me carregou no colo e eu chorava pela dor de estar com a perna estendida de forma inapropriada para alcançarmos o nosso grande objetivo: entrar em casa.

Foto Daniele e Douglas

Uma vez lá dentro, sentei-me na cadeira novamente e me dei conta de que já não era mais possível enxergar as coisas como antes. A cadeira não passava pelas portas, que eram estreitas demais, não permitia a circulação pelos corredores, não permitia aproximar-me das pias e bancadas.

Não ter autonomia e segurança para realizar tarefas simples como ir de um cômodo a outro me geraram uma enorme frustração, entristeci-me profundamente. Após uma consulta pós-operatória, no retorno para casa, ainda utilizando-me da cadeira amiga, meu marido, para me ver sorrir, levou-me ao shopping para almoçarmos. O shopping parecia uma ideia acessível e assim fizemos. Uma vez lá dentro, precisei ir ao banheiro, precisava da ajuda do meu esposo, mas percebemos que as cabines acessíveis estavam dentro dos sanitários masculinos e femininos. Ora, seria melhor ele adentrar no feminino ou levar-me para o masculino? Pediríamos a todos que saíssem? O que faríamos? Mais uma vez ressignificamos uma tarefa simples. Às vezes, um local acessível, não era acessível de verdade.

Ao longo da minha recuperação, utilizei-me de cadeira de rodas, muletas e por fim uma bengala. Foi uma trajetória curta, de poucos meses, mas cheia de aprendizados e que, nos trouxe muita reflexão sobre ACESSIBILIDADE.

Decidimos então, estudar, aprender e nos capacitar para realização de obras acessíveis e um ano depois abrimos a CONSTRUZAM, uma empresa de engenharia civil, com foco em acessibilidade descomplicada. Crescemos, aprendemos e realizamos com amor, muitas obras acessíveis, de forma correta, atendendo não só as diretrizes das normas técnicas, mas também às leis que regem essa questão e principalmente, as pessoas que mais precisam de acessibilidade. Nos concentramos em atuar em universidades e escolas.

Descobrimos que acessibilidade é para todos! Não é um tema para deficientes, visto que todos podemos, em algum momento de nossas vidas, estar temporariamente incapacitados para realizar atividades de forma autônoma e segura.

Contatar por whatsapp